Esquizofrenia

Esquizofrenia
1 - Conceito


A esquizofrenia é uma doença que envolve o SNC, se manifesta com múltiplos sinais e sintomas envolvendo o pensamento, percepção, emoção, movimento e comportamento. Essas manisfestações combinam-se de variáveis maneiras, criando uma diversidade considerável entre os pacientes. Ela é processual, tende para a fase crônica, e isto é grave e geralmente de longa duração.

Constitui-se nas mais frequentes das psicoses – transtorno em que o paciente perde o juízo da realidade. Cerca de 1% da população em geral sofre dessa psicose, ou seja, apresenta graves transtornos do pensamento, como delírios de perseguição e perda das conexões lógicas de ideias; da percepção principalmente alucinações auditivas; emoções embotadas ou incongruentes com a situação ambiental; excessiva timidez, isolamento social e mesmo da motricidade, como agitação ou, ao contrario, imobilidade.

2 - Epidemiologia

A esquizofrenia constitui-se na maior causa da hospitalização psiquiátrica nos dias de hoje. Na sua forma mais grave, cujo diagnostico apresenta o maior grau de concordância entre psiquiatras incide em cerca de 1% da população em geral. Entretanto, formas mais brandas podem afetar de 3% a 5%. Porém, nesses casos há uma variação nos critérios diagnostico. A idade de pico de aparecimento para os homens situa-se entre 15 e 25 anos, e entre 25 a 35 anos para as mulheres.

Estudos prospectivos tem sinalizado uma propensão maior para desenvolver esquizofrenia em pessoas que apresentam déficits no ajustamento social ou problemas de leitura e linguagem na idade escolar. No geral, não existem diferenças na prevalência entre homens e mulheres, embora os homens pareçam mais suscetíveis aos sintomas negativos, característicos da forma crônica da doença, e o prognostico seja mais favorável para as mulheres, as quais parecem ser mais suscetíveis aos sintomas positivos.

3 - Classificação dos tipos de esquizofrenia o DSM-IV ou CID-10

O DSM-IV define como característica essencial da esquizofrenia á presença de sintomas psicóticos (delírios, alucinações, dissociação do pensamento, comportamento catatônico, afetividade embotada) durante a fase ativa da doença, descuido nas relações de trabalho, sócias e cuidados pessoais, e duração de pelo menos seis meses. É essencial fazer o diagnostico diferencial com transtorno do humor associado a sintoma, a esquizofrenia é subdividida em diferentes tipos:
- Catatônica: Alteração na psicomotricidade com estupor, rigidez, excitação, posturas bizarras, negativismo;
- Desorganizada: caracterizada por incoerência ,desagregação do pensamento e da conduta, afeto incongruente embotado ;Paranóide:marcada por delírios ,frequentemente de natureza persecutória e alucinações auditivas; Residual: sinais negativos da esquizofrenia como isolamento social, pensamento ilógico, inadequação afetiva ,comportamento excêntrico ; Indiferenciada: com sintomas que não podem classificados nas categorias anteriores.

Sintomas Negativos X Sintomas Positivos

Sintomas Negativos: Ausência de comportamento usualmente encontrada em pessoas “normais”, como: Humor achatado; Pobreza de fala; Inabilidade de experimentar sentimentos positivos; Apatia (antissocial); Ocorre mais em homens; Não responsivo a terapia com drogas; Sintomas mais estáveis.
Sintomas Positivos: Comportamentos não encontrados usualmente em pessoas “normais”.
Transtornos do pensamento (Alucinações, Delírios); Comportamento bizarro; Ocorre mais em mulheres; Não Responsivo á terapia com drogas; Agitação psicomotora; Catatonia.

4 - Etiologia: fatores genéticos e ambientais

De acordo com vários estudos sobre esquizofrenia nota-se que há fatores sociais e genéticos que agem de forma conjunta no estabelecimento da doença. Kallmann,nos EUA ,estudou a incidência de esquizofrenia em gêmeos monozigóticos e dizigoticos ,que são evidência importantes para a etiologia. Esperar-se-ia que ,se a doença fosse fundamentalmente de origem genética ,os gêmeos monozigóticos apresentariam aproximadamente a mesma incidência de doenças.Os estudos, entretanto, mostram que a concordância ocorre em cerca de 40% a 50%dos gêmeos monozigóticos e que a doença apresenta incidência de 10% a 15% dos gêmeos dizigóticos (a mesma dos parentes de primeiro grau ). Se a esquizofrenia fosse devida, somente a anormalidade genética, a concordância seria de 100%%%%. De qualquer forma, o índice aponta para uma influencia de fatores genéticos no aparecimento da doença.

Ao lado do fator genético existem também evidencias da participação de fatores ambientais e socioculturais. Particularmente importantes parecem ser as intercorrências no período de vida intrauterina, como infecções viróticas e desnutrição acentuada nas primeiras semanas de gravidez, que aumentam a incidência de esquizofrenia na prole. Tais achados apontam para uma disfunção do desenvolvimento do sistema nervoso central em fase precoce como determinante do aparecimento ulterior da esquizofrenia .Uma hipótese plausível é de que o fator genético aumenta a vulnerabilidade do sistema nervoso central aos agentes externos.

Os fatores socioculturais parecem influenciar mais a manifestações da doença que ser agentes causais propriamente ditos. A esquizofrenia tem sido descrita em todas em todas as culturas e classes socialmente estudadas. O estressesocial experimentado pelos membros das classes socioeconômicas inferiores contribui para o desenvolvimento, ou até mesmo possa ser causa, da esquizofrenia. Tem sido também observado um aparente aumento na prevalência da esquizofrenia entre as populações de Terceiro Mundo.

5 - Como se dá e como evolui a esquizofrenia (principais estruturas do SNC afetadas e vias dopaminérgicas envolvidas)

Uma perturbação neurofisiológica de origem e natureza indeterminada ocorre, manifestando-se como um processo dissociativo adversamente o desenvolvimento de capacidades mentais nas aéreas do pensamento, emoção e comportamento. Dependendo da capacidade e circunstancias ambiental do individuo, o processo dissociativo fundamental pode levar a manifestações secundarias da doença, tais como delírios, alucinações, retraimento social e diminuição dos impulsos.

A esquizofrenia era considerada como um transtorno funcional, as funções intelectuais estariam intactas e se perturbadas, seriam em consequência dos sintomas psicóticos e não de alterações orgânicas. Em vista de estudos post-mortem e de neuroimagem, mostrando anormalidades, tantos fisiológicas quanto estruturais, em cérebros de pacientes esquizofrênicos, levantou-se a possibilidade de que a esquizofrenia envolve uma gama de anormalidades que compromete a habilidade de recrutar ou selecionar os circuitos neurais apropriados para a realização das atividades rotineiras.

Algumas anormalidades morfológicas associadas a sintomas da doença como: Lentidão psicomotora, alteração no núcleo caudado e córtice de associação frontal e parietal; Desorganização comportamental, anormalidade no giro para - hipocampal e giro do cíngulo; Alucinações, anormalidade com giro temporal superior; Transtorno do pensamento, anormalidade dos lobos frontais.

Estruturas límbicas podem estar associadas á esquizofrenia (o polo do lobo temporal e o córtex pré – frontal). No subcórtex destacam-se o núcleo accumbens,área tegmentar ventral do mesencéfalo, a amigdala, o hipocampo e o tálamo.

*Hipótese dopaminérgica

As drogas anti-psicóticas atuam reduzindo a neurotransmissão dopaminérgica do SNC.Os neurônios que sintetizam a dopamina são encontradas no mesencéfalo, diencéfalo e telencéfalo.As vias principais dopaminérgicas são:
Sistema mesotelencefálico
- Via nigroestriatal (A9): vai da substancia negra do mesencéfalo até o estriado dorsal, no telencéfalo. Participa da atividade motora, sinais parkinsonóides e discernia tardia.
- Via mesolímbica (A10): origina-se na parte ventral do tegumento mesencefálico e termina nos diversos núcleos subcorticais do telencéfalo.As pertencentes ao sistema límbico.
- Via mesocortical: assim como a via mesolímbica, ambas estão envolvidas na gênese dos sintomas da esquizofrenia.
Sistema Diencefálico
- Vias curtas: mais importantes na ação dos neurolépticos
- Via túbero – infundibular: efeitos neuroendócrinos

6 - Farmacoterapia

Os medicamentos antipsicóticos atuam reduzindo a neurotransmissão dopaminérgica no SNC, e são à base do tratamento da esquizofrenia. Após essa intervenção, os pacientes tratados com os neurolépticos ficam livres de distúrbios psicológicos que apresentavam e ai sim podem ser expostos a outros tipos de tratamento, como a psicoterapia, permitindo que haja uma reintegração social.

Assim que é efeito o diagnóstico da esquizofrenia, deve-se iniciar o tratamento com medicamentos antipsicóticos. A decisão de usar um medicamento ao invés do outro não está relacionado com a eficácia, mas sim nos efeitos colaterais do medicamento. Evidências sobre a eficácia dos medicamentos antipsicóticos focalizam-se sobre a fase aguda da doença. Após a redução dos sintomas durante a fase aguda do tratamento inicia-se a transição para o tratamento de manutenção, dado que o índice de recaída é muito alto para aqueles que não são tratados com doses de manutenção. Apesar de ser usado por tempo prolongado os medicamentos antipsicóticos não causam dependência.

As drogas antipsicóticas mais usadas são as típicas e esses podem ser classificados em fenotiazinas, tixantenos, dibenzoxazepinas e butirofenonas, que compreende o haloperidol que é a droga mais usada no tratamento de esquizofrênicos.

Mais recentemente surgiu um novo medicamento neurolético, a clozapina. O novo medicamento podia reduzir sintomas de psicose sem causar efeitos colaterais de transtornos dos movimentos. Por isso foi denominado antipsicótico atípico, pois possuía atividade antipsicóticos sem efeitos neurolépticos. O tratamento é indicado para pacientes que respondem fracamente aos antipsicóticos típicos e aqueles que apresentam intolerância aos neurolépticos e severa discenia tardia. Alguns de seus efeitos colaterais são, a hipotensão, a sedação e a agranulocitose. Os medicamentos atípicos agem preferencialmente sobre as áreas límbicas do cérebro que podem ser trajetos relevantes de dopamina envolvidos na esquizofrenia.

Os efeitos farmacológicos dos neurolépticos são semelhantes, atenuando ou mesmo eliminados os sintomas positivos – como os delírios, pensamento incoerente, alucinações, afeto incongruente e agitação psicomotora – porém não afetam os sintomas negativos – afeto embotado, incapacidade de sentir prazer ou andedonia, perda da iniciativa, isolamento social e mesmo déficits intelectuais e de memória. Além do efeito farmacológico, os antipsicóticos causam efeitos colaterais típicos. Os principais efeitos são: distonia aguda, síndrome parkinsoniana, discenia tardia, acatisia e galactorréia.

Desde a introdução dos antipsicóticos, emergiram varias tensões e uma delas é o jogo entre o tratamento com medicamentos e intervenções psicológicas e sócias. Estudos demonstraram claramente que os pacientes que foram tratados com recursos farmacológicos e não farmacológicos obtiveram melhores resultados que aqueles que foram tratados exclusivamente com recursos farmacológicos.

7 - Psicoterapia


Dentro da abordagem comportamental o terapeuta acaba trabalhando junto ao psiquiatra, buscando atender os comportamentos que causam sofrimento desses individuo esquizofrênico objetivando ajudá-los a adaptarem a esses, intervindo na família ensinando a lidar com a doença para então não reforçar os comportamentos inadequados.

A psicanalista entrevistada demonstrou em seu discurso um trabalho que objetivava reconstruir a historia de vida do esquizofrênico trazendo á tona, através da fala, o seu inconsciente e atuando junto a uma equipe multidisciplinar composta por terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, psiquiatras, enfermeiros, entre outros.

A visão geral da psicanálise acerca da esquizofrenia especula que estaria relacionada a um defeito do ego que afetaria a interpretação da realidade e controlaria os impulsos internos como sexo e agressão, sendo as perturbações decorrentes de distorções no relacionamento recíproco entre o bebê e a mãe. Freud postulou que a esquizofrenia resulta de fixações nos desenvolvimentos anteriores àquelas que resultam no desenvolvimento das neuroses, e sobre a presença de um defeito no ego que contribuiria para os sintomas da esquizofrenia. Assim, de acordo com ambas as visões, uma pessoa esquizofrênica jamais adquire a consciência objetal, caracterizada por um senso de identidade segura resultante de um estrito vínculo com a mãe durante a primeira infância.

8 - Modelo animal de esquizofrenia

Um dos modelos de esquizofrenia que encontramos é o de indução de componentes estereotipados por injeções de anfetamina que aumentam a produção de dopamina no animal, provocando comportamentos estereotipados e sintomas semelhantes para então poder validar modelo e assimilar maiores descobertas no tratamento da psicopatologia. Estes comportamentos também são observados em individuas esquizofrênicos devido ao aumento de dopamina sendo que a aplicação de antipsicóticos em ambos provoca a reversão dos mesmos. E assim temos o critério de previsibilidade farmacológica validado.

Para comprovar o critério de semelhança ou analogia, observam-se os mesmos comportamentos estereotipados no animal e nos indivíduos com esquizofrenia, e de acordo com ele pode-se perceber que o aumento de dopamina é responsável pelos comportamentos estereotipados em ambos os casos.

 
Destaques
A Interação Creche Família: Uma História de Amor.

A Interação Creche Família: Uma História de Amor.

A vivência em sociedade é essencial para o desenvolvimento do homem , que desde o berço...
+ Mais
Falando Sobre Comportamento Infantil: A Mentira.

Falando Sobre Comportamento Infantil: A Mentira.

Falar a respeito deste comportamento nos aponta uma complexidade que envolve uma gama de nuances...
+ Mais
Mordidas: Uma Forma de Interação e Aprendizado

Mordidas: Uma Forma de Interação e Aprendizado.

Mordidas costumam causar revoluções na escola. Ninguém gosta que seu filho seja mordido.
+ Mais
Programa de Prevenção da Dor Lombar

Programa de Prevenção da Dor Lombar.

A dor lombar acomete cerca de 80% da população adulta em algum período da vida.
+ Mais

Novidades

Wii reabilitação: Uma maneira diferente de reabilitar.

O Nintendo wii sai da sala de estar e vai direto
para as clínicas de reabilitação.

Leia Mais...

 

Novas abordagens no trabamento TDAH.

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é considerado, atualmente, o transtorno psíquico infantil mais estudado. A sintomatologia...

Leia Mais...


Redes Sociais

Siga-nos no Twitter Adicione-nos no Facebook YouTube Flickr (Fotos)